quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Vinda da Família Real


Revolução industrial -séc. XVIII
A revolução industrial do século XVIII provocou uma guerra entre as nações mais importantes naquela época França e Inglaterra. Além da disputa por mercadoria havia também os planos imperialistas de Napoleão Bonaparte.

Exército Francês X Marinha Inglesa
O exército francês era forte e bem equipado, porém a marinha inglesa era a mais poderosa do mundo. A grande diferença era que Napoleão havia conseguido impor seu domínio sobre a maioria dos países da Europa Continental. 
 
Bloqueio Continental - 1806
Durante a guerra, Napoleão resolveu decretar o Bloqueio Continental em 1806. Este visava impedir as nações europeias de comercializar com a Inglaterra.
Então nenhum produto inglês poderia ser comercializado no continente. O objetivo do Bloqueio Continental era arruinar economicamente a Inglaterra.
   
Portugal e o Bloqueio Continental
Portugal não podia cortar relações com a Inglaterra para qual devia muito dinheiro. Porém se não aceitasse as determinações de Napoleão Bonaparte poderia ser invadida pelo exército francês. 
 
1807 -Acordo secreto com a Inglaterra
Para tentar se proteger e ganhar tempo D. João VI pediu ajuda da Inglaterra. Dessa maneira assina em 1807 um acordo secreto com a Inglaterra parra receber proteção militar. Com isso Portugal deveria fazer várias concessões para aquele país.
 
Fuga para o Brasil
Mesmo com todos os acordos de proteção, a França invade Portugal. Com a invasão a família real e a corte portuguesa partem para o Brasil em 1807(novembro) e chegam no Brasil em 1808 (janeiro). O rei deixa Portugal no momento mais crítico abandonando-o no momento da invasão.
 
Fuga rápida
A vinda da família real foi marcada por muita correria, pressa e confusão D. João não se despediu do povo e disfarçadamente retirou-se apressado para o navio. Muitos populares queriam fugir com Dom João, mas não encontraram lugar nas embarcações.
O rei e sua comitiva foram vaiados pelos populares devido à covardia de abandonarem a pátria portuguesa para o inimigo francês.
 
Números da comitiva
Levando todos os documentos e riquezas possíveis de serem transportadas, D. João, sua família e uma comitiva de cerca de 10 mil pessoas partiram de Portugal, escoltados por uma divisão da marinha real inglesa.

Primeiras medidas de D. João no Brasil
Após sua chegada ao Brasil, o príncipe regente tomou as seguintes medidas:
28 de janeiro de 1808 - Decretou a abertura dos portos às Nações Amigas. Com esse decreto colocava fim ao Pacto colonial (monopólio comercial entre as metrópoles e suas colônias que eram obrigadas a comprar somente da metrópole).
1° de abril de 1808 - Assina um decreto que permitia a instalação de manufaturas no Brasil
16 de Dezembro de 1815 - Eleva o Brasil a categoria de Reino Unido a Portugal Algarves. Com isso o Brasil ganhava autonomia administrativa, deixando, portanto, de ser uma simples colônia portuguesa.
 
 
 Região de Algarves
O governo de D. João VI
           O período joanino é o período no qual o Brasil foi administrado diretamente pela coroa portuguesa que aqui estava instalada e se estendeu de 1808 a 1822.Entre as principais realizações de D. João VI destacam-se:
·         A fundação das duas primeiras escolas superiores brasileiras (ambas de medicina);
·         A criação do Banco do Brasil;
·         A criação do Jardim Botânico, da Academia Militar e da Imprensa régia;
·         Contratação de uma missão cultural francesa (missão francesa) para retratar através de pinturas, as belezas naturais e os aspectos cotidianos do Brasil. Entre os artistas contratados estava o francês Jean Baptiste Debret;
·         A conquista do território uruguaio que se tornou uma província brasileira chamada Província Cisplatina;

A instalação de indústrias não agrada a Inglaterra
A instalação de indústrias não agradou o governo inglês, pois este não queria sofrer concorrência. 
 
Impostos sobre mercadorias brasileiras e estrangeiras
A Inglaterra tenta lucrar com o Brasil, pois os impostos colocados sobre os produtos ingleses eram quase iguais daqueles cobrados sobre os produtos brasileiros. Como perceber nos seguintes números:
 
·         Mercadorias inglesas 15%
·         Mercadorias Portuguesas 16%
·         Mercadorias Brasileiras 14%
·         Mercadorias de outros países 24% 

Dessa maneira os produtos ingleses tinham um preço mais acessível do que da iniciante indústria brasileira. 
 
1820-Revolução Liberal do Porto – a volta de D. João para Portugal.
Uma revolução eclode em solo português em 1820, D. João VI viu se obrigado a voltar para Portugal, deixando aqui seu filho D. Pedro, como Príncipe regente. A revolução conhecida como “Revolução Liberal do Porto” pretendia: 
 
·         Salvar a economia portuguesa;
·         Recolonizar o Brasil, ou seja, fazer com que o Brasil voltasse à condição de colônia, totalmente dependente de Portugal. 

D. João resolve voltar para Portugal, sabendo se não o fizesse perderia seu trono, D. João VI, viajou, deixando o seu filho, D. Pedro, como regente do Reino Unido do Brasil. Isso aconteceu em 26 de abril de 1821.
 
Uma multidão comparece ao porto do Rio
No dia que D. João VI e sua família partiram para Portugal, uma multidão de cariocas compareceu ao porto do Rio com a intenção de revistar os navios portugueses. É que se espalhara a notícia de que D. João VI ia levando com ele cofres cheios de moedas de ouro e todo o dinheiro do Banco do Brasil.
Contam que no dia da partida da família real os cariocas cantavam esse refrão: “Olho vivo, pé ligeiro, vamos a bordo buscar dinheiro” 
 
Certeza da independência
D. João deixa o Brasil com a certeza que a independência seria inevitável e até aconselha a seu filho Pedro. Pois era melhor que ele governasse o país em vez de qualquer outro. Por isso, despediu-se de seu filho dizendo:
“Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para alguns desses aventureiros. ”

Imagem: https://maniadehistoria.wordpress.com/a-fuga-da-familia-real-portuguesa/
Algarve: http://conversandoalegrementesobrehistoria.blogspot.com.br/2016/07/algarve-ou-algarves-um-pedacinho-do.html

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Independência da América Espanhola


Objetivo básico das Metrópoles
A colonização da América Latina foi essencialmente a de exploração. As metrópoles não tiveram intenção de alguma de construir nações fortes e desenvolvidas nessa parte das Américas. A política metropolitana era exatamente bloquear qualquer desenvolvimento autônomo da colônia.
A finalidade das metrópoles foi o de explorar o máximo das riquezas, das terras para latifúndio em benefício próprio.
 
Conflitos entre as colônias e metrópoles
Depois do primeiro século de colonização baseada na exploração começaram a surgir conflitos entre as colônias e as metrópoles. As raízes desse conflito encontravam-se no próprio sistema colonial, ou seja, na forma de opressão das colônias através do pacto colonial.
 
Pacto colonial
O Pacto colonial era o monopólio comercial entre as metrópoles e suas colônias. Ele determinava que a colônia só poderia comercializar com sua metrópole.
 
Rebeliões na América Latina
            Toda essa situação de opressão resultou em várias rebeliões na América Latina, dominada por portugueses e espanhóis.
As rebeliões foram promovidas pelas elites locais ligadas ao comercio. A principal razão das revoltas era defender os interesses dessas classes privilegiadas e por fim colocou em crise o sistema colonial.
 
Fatores que contribuíram para as independências
          Crise do sistema colonial: As elites locais e suas rebeliões proporcionaram que o próprio sistema colonial fosse questionado.
          Iluminismo e Revolução Francesa: Forneceram as ideias de liberdade política e econômica.
          Revolução Industrial Inglesa: Promoveu um grande aumento na produção e para que as mercadorias fossem exportadas era preciso abrir os mercados americanos fechados pelo Pacto colonial.
          Domínio Francês sobre a Espanha: O trono espanhol foi ocupado por José Bonaparte, irmão de Napoleão, em 1808. Esse fato enfraqueceu a administração espanhola sobre as colônias o que favoreceu a luta pelas independências.
          Independência dos Estados Unidos da América: Este promoveu a motivação para a Independência espanhola e portuguesa.
 
Independência das colônias espanholas – 3 fases
O processo de independência das colônias espanholas pode ser dividido em três fases.
 
1ª fase (1780-1810)
1780 – Rebelião no Peru liderado por um líder local chamado Tupac Amaru. O movimento foi reprimido pelos espanhóis e o líder da revolta foi preso e morto.
1804 – Independência do Haiti: Escravos negros se revoltam contra a elite branca que foi expulsa da ilha. Ela esteve unida com a República Dominicana entre 1822-1844. Em 1859 tornou-se uma república.
A população do Haiti atualmente é predominantemente negra compondo-se de 99% de negros e 1% de mulatos.
 
2ª fase (1810-1816)
Os movimentos de emancipação foram reprimidos pelas tropas espanholas. A principal causa do fracasso foi a falta de apoio dos países estrangeiros.
 
3ª Fase (1817-1828)
Reorganização dos movimentos de emancipação, que contavam com o apoio da Inglaterra e EUA.
Nessa fase destacaram-se:
  • Simón Bolívar: Responsável pela libertação da Venezuela, Colômbia e Equador.
  • José de San Martín: Responsável pela libertação da Argentina, Chile e Peru.
  • Agustín Itúrbide: Responsável pela libertação do México.
  • Somente Cuba e Porto Rico ainda permaneceram sob o domínio espanhol.
Cuba - 1898
            Cuba a maior ilha do Caribe foi descoberta em 1492 por Cristóvão Colombo. Sendo ocupada por espanhóis que utilizavam a ilha para produzir cana de açúcar e tabaco.
A luta pela independência cubana deu-se com a ajuda dos norte-americanos interessados em manter sua hegemonia sobre a ilha. Finalmente em 1898 conseguiu sua emancipação em relação à colônia espanhola. Porém, de 1902-1959 os EUA apoiaram uma sucessão de governos corruptos e sem ligação com o social.
A história cubana começa a tomar outro rumo quando em 1959 houve a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro que terminou por instaurar o Regime Socialista em Cuba. 
 
Doutrina Monroe - 1923
            Em 1823, com a proclamação da Doutrina Monroe pelos EUA, a independência da América tornou-se irreversível.
Em 1823, o presidente James Monroe, em mensagem ao congresso, anunciou a disposição dos Estados Unidos em impedir qualquer país europeu de estabelecer colônias na América ou intervir em suas questões internas.
Essa mensagem ao Congresso americano, ficou conhecida como a Doutrina Monroe, e seu lema era: a América para os americanos. No entanto, seu verdadeiro significado era: a América para os Estados Unidos.
 
Divisão em vários países
Os líderes responsáveis pela independência da América Espanhola, como Simon Bolívar, desejavam manter ao menos a unidade dos antigos vice-reinos, mas suas tentativas malograram, pois uma série de guerras civis eclodiu culminando com a fragmentação em diversos estados comandados por lideranças locais.
Sob iniciativa do próprio Bolívar ocorreu a formação da Grande Colômbia formada pela Colômbia, Panamá, Venezuela, Equador e Peru, porém divergências internas culminaram na fragmentação em vários países.
 
Governo – Aristocracia Criolla
Os governos da América Espanhola foram assumidos pelos descendentes de espanhóis nascidos na América, os criollos. Eles formavam a classe dominante durante o período colonial e continuaram após as emancipações.
 
Independência Restrita - o sonho frustrado da maioria do povo
            A independência na América Latina não recompensou os pobres, os expropriados, nem aqueles que realmente lutaram contra o poder espanhol nos campos de batalha.
Quando a paz chegou, após a independência, os donos de terra e os grandes mercadores aumentaram suas fortunas, enquanto se ampliava a pobreza das massas populares oprimidas.
A burguesia latino-americana, verdadeira legião de parasitas, comemorou a independência em taças de cristal britânicas. Puseram em circulação as palavras de ordem da burguesia europeia. E nossos países punham-se ao serviço dos industriais ingleses.
A América Latina logo teve suas Constituições burguesas envernizadas de liberalismo, mas não teve uma burguesia criadora, no estilo europeu ou norte-americano, que se propusesse à missão histórica do desenvolvimento de um capitalismo nacional vigoroso.
As burguesias latino-americanas nasceram como simples instrumentos do capitalismo internacional. Foram simples peças da engrenagem mundial.
Assim, uma série de frustrações sucedeu à independência. Frustrações econômica, social e nacional. (Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina, Paz e Terra, 1978. p.128-9 (texto adaptado) in Cotrim, Gilberto, História e Consciência do Mundo.v2, Editora Saraiva,1999.p.111)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Revolução Industrial -1760

          
Imagem 1

           Transformações tecnológicas, econômicas e sociais ocorridas na Europa à partir da 2º metade do século XVIII. Esse conjunto de transformações influenciou profundamente a vida de milhões de pessoas.
Esse primeiro momento da Revolução Industrial foi tipicamente inglês, marcando a passagem de um sistema de produção marcadamente agrário e artesanal para outro de cunho industrial dominado pelas fábricas e por máquinas.
As fases de produção tiveram três estágios:
·         Artesanal: o trabalho era realizado por inteiro pelo artesão.
·         Manufatureira: Havia já uma divisão de trabalho
·         Maquinofatura: O trabalho era realizado pelas máquinas. 
Imagem 2
Consolidação do Capitalismo Industrial
            A Revolução Industrial contribuiu para a consolidação do capitalismo industrial. 
Definindo Capitalismo
            No capitalismo existem duas classes distintas:
Burguesia (capitalista): Proprietária dos meios de produção: Edifícios, máquinas, ferramentas, matérias-primas, etc.
Proletariado: São os trabalhadores que vendem sua força de em troca de um salário. No sistema capitalista há o predomínio da propriedade privada dos meios de produção, o interesse pelo lucro e o acúmulo de capital.
 
Fatores que contribuíram para o pioneirismo inglês
1. Acúmulo de capital: Devido à política mercantilista, as atividades comerciais, agrícolas e manufatureiras a Inglaterra consegue acumular recursos para aplicar nas indústrias.
2. Crescimento populacional e êxodo rural: O aumento da produção de alimentos, o progresso na medicina contribuíram para o aumento populacional que não encontrando trabalho no campo migram para as cidades que se tornam abundantes em mão-de-obra. Além disso, houve o cercamento das terras para criação de ovelhas, para atender a demanda de lã no mercado europeu. Dessa maneira os camponeses foram expulsos e migraram para as cidades.
3. Posição geográfica favorável: O fato de a Inglaterra ser uma ilha situada próxima a Europa favorece o comércio. Sua posição privilegiada favorece o acesso aos grandes mercados.
4. Abundância de fontes de energia: A Inglaterra possuía grandes jazidas de carvão, que possibilitou desenvolver indústrias baseada no carvão mineral.
5. Desenvolvimento tecnológico: Promoveu a mecanização das fábricas, para o aumento de produtividade e consequente lucro. Principais máquinas: Máquinas de Fiar (1765), bastidor hidráulico (1769), tear mecânico (1785).
 
Principais consequências da Revolução Industrial
·         Consolidação do capitalismo;
·         Expansão do imperialismo;
·         Surgimento da Escola ajudando a disciplinar o trabalhador;
·         Dessacralização da natureza: antes sagrada ou criada por um ser sagrado, agora é vista como fonte de lucro;
·         Aumento da poluição
·         Família torna-se nuclear.
·         Aumento da produção de mercadorias, decorrente ao uso das máquinas.
 
Fases da Revolução Industrial
 
1ª fase: (1760-1870)
Países: Inglaterra (pioneira), França e Bélgica.
Fontes de energia: carvão e ferro
Setor industrial predominante: têxtil.
Tipo de capitalismo: Liberal: Sem a interferência do Estado.
Condições do Trabalhador: Exploração em larga escala do trabalho infantil e feminino. Jornadas de trabalho de até 18 horas por dia.
 
2ª Fase (1870-até 1945)
Países: Alemanha, Itália (norte), Rússia, EUA, Japão entre outros.
Fontes de energia: Eletricidade, Petróleo e Aço.
Setor industrial predominante: Petroquímico, siderúrgico, eletroeletrônico, automobilístico entre outros.
Tipo de capitalismo: Monopolista, controle das grandes empresas.
Condições do Trabalhador: Progressiva diminuição da jornada de trabalho; Proibição do trabalho infantil, organização dos trabalhadores em sindicatos. 
3ª fase (1945 até hoje)
Alguns historiadores têm considerado os avanços tecnológicos do século XX e XXI como a terceira etapa da Revolução Industrial. O computador, o fax, a engenharia genética, o celular seriam algumas das inovações dessa época
No período conhecido como Guerra Fria, que a corrida espacial, iniciada em 1957, foi travada entre os Estados Unidos e a União Soviética demostrando ainda mais, os avanços nas áreas da tecnologia e da produção de armamentos.
Nos avanços da metalurgia, as descobertas químicas foram essenciais para seu progresso, com o surgimento de novas ligas metálicas que proporcionaram o avanço dos meios de transportes, com a construção de naves espaciais e aeronaves.
Quanto aos trabalhadores, os direitos trabalhistas começam a se ampliar, diminuindo as horas de trabalho, incluindo benefícios e proibindo o trabalho infantil.
Todos esses fatores foram essenciais para a modernização das indústrias e que até os dias de hoje continuam marcando os avanços das tecnologias de informação bem como da globalização no mundo.
 
 
 Imagem 3
A máquina a vapor de James Watt
Fontes
www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaoindustrial.php (texto e imagem 1)
 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)


Com a queda de Getúlio Vargas, em 1945, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), José Linhares, foi quem assumiu temporariamente a presidência, até serem realizadas as eleições.
O general Eurico Gaspar Dutra, até então ministro da Guerra no governo de Getúlio Vargas, candidatou-se ao cargo, pelo PSD (Partido Social Democrático). A UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, lançou o nome de outro militar, o brigadeiro Eduardo Gomes. Dutra, com apoio de Vargas, foi eleito Presidente da República com uma ampla vantagem de votos.
Ele assumiu o governo em janeiro de 1946. Paralelamente a sua posse, organizava-se uma Assembleia Constituinte, responsável pela elaboração de uma nova Constituição, que vigoraria de 1946 até o Golpe Militar, em 1964. A nova Constituição estabeleceu a divisão dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), o mandato de cinco anos para cargos executivos e firmou definitivamente o voto feminino para maiores de 18 anos.
Dutra iniciou seu governo num período transitório, entre o fim da II Guerra Mundial e os primeiros sinais da Guerra Fria. Desde então, o Brasil firmou laços com os Estados Unidos e, consequentemente, o PCB (Partido Comunista Brasileiro) sofreu perseguições e foi posto na ilegalidade.
No plano econômico, o presidente Dutra adotou uma política mais liberal, de não intervenção do Estado na economia, medida que desagradou aos seus correligionários. Dutra distanciou-se um pouco de Getúlio Vargas, conseguindo, assim, o apoio da UDN.
Seu objetivo era poder governar sem oposição e aprovar seus principais projetos para o Brasil. Foi o que ele conseguiu. Uma de suas primeiras medidas foi proibir os jogos de azar e acabar com cassinos.
Além disso, Dutra empreendeu grandes obras, como a construção da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), criação de indústria petrolífera e a pavimentação da estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, uma das principais do país, que foi nomeada Rodovia Presidente Dutra, em sua homenagem.
Estas medidas, porém, foram alvo de muitas críticas, segundo as quais o governo estaria fazendo uma má utilização das reservas públicas, acumuladas durante a II Guerra Mundial. Dutra também foi infeliz ao adotar uma política de arrocho salarial, o que agravou o descontentamento da população.
Numa tentativa de planejamento governamental, lançou o plano SALTE, que previa um forte investimento em quatro áreas fundamentais: Saúde(S), Alimentação(AL), Transporte (T) e Energia(E). Os recursos viriam da Receita Federal e de empréstimos externos. Este projeto não obteve sucesso e foi abandonado pouco tempo depois.
Eurico Gaspar Dutra governou até o final do mandato, em 31 de janeiro de 1951. Durante a Ditadura Militar, tentou voltar ao poder, mas já não fazia parte do grupo dominante. Depois da presidência, não exerceu mais cargos de destaque. Morreu em 1974, aos 91 anos.
 
O Site http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-gaspar-dutra-1946-1951-democracia-e-fim-do-estado-novo.htm contém um texto mais aprofundado sobre o Governo Dutra. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Jânio Quadros - 1961: Mandato polêmico de sete meses


 
Na eleição presidencial de 1960, a vitória coube a Jânio Quadros. Naquela época, as regras eleitorais estabeleciam chapas independentes para a candidatura a vice-presidente, por esse motivo, João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi reeleito.
“Varrer a corrupção'' era o slogan de Jânio Quadros, que fez da vassoura seu símbolo, para situá-lo como homem honesto que iria limpar a vida pública brasileira, dando fim a toda e qualquer corrupção. Foi o primeiro político brasileiro a transformar a política em espetáculo, utilizando-se de gestos dramáticos e atitudes bombásticas para angariar apoio popular. Mas fracassou na sua maior cartada desse tipo, ao renunciar à presidência.
 A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses e encerrou-se com a renúncia. Nesse curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.
Sua renúncia desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes.
 
A crise política
O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda causada por intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações.
Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os ânimos da oposição ao seu governo. Jânio nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).
Atitudes de menor importância também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonauta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano Fidel Castro.
 
Independência e isolamento
O presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros, por meio de acordos diplomáticos e comerciais.
 Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e, internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também oposição das elites conservadoras e dos militares.
 Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado política e socialmente. Jânio Quadros renunciou em 25 de agosto de 1961. Numa breve carta, em que explicava algumas das razões que o levaram a renúncia, escreveu que se sentia esmagado:
“Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. A mim não falta a coragem da renúncia. ”

Gilberto Cotrim, História e Consciência do Brasil. Editora Saraiva,1995

 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Revolução Constitucionalista de 1932


 A oposição paulista
Ao confiar o governo dos estados a tenentes, ligados a sua confiança, Vargas desagradou grupos oligárquicos que também o ajudaram a chegar ao poder. Um desses grupos, o Partido Democrático de São Paulo, liderado principalmente por empresários e fazendeiros, tinha apoiado a Revolução de 1930 esperando receber em troca a chefia do governo paulista.
 
Frente Única Paulista (FUP)
Mas como Vargas entregou o governo de São Paulo a um militar, o Partido Democrático (PD) o abandonou e uniu-se aos cafeicultores do Partido Republicano Paulista, que tinham sido derrotados pela Revolução de 1930 e desejavam, agora, voltar ao poder.
Da união entre o partido Democrático e o Partido Republicano Paulista nasceu a Frente Única Paulista (FUP). Essa frente era liderada por industriais, comerciantes e grandes cafeicultores; enfim, pela elite paulista que, esquecendo das divergências, uniu-se em defesa de seus interesses. 
 
No documento de sua fundação, a Frente Única Paulista exigia:
•                     Autonomia para São Paulo
•                     Uma nova constituição
•                     Nomeação de um interventor civil e paulista para chefiar o governo estadual. 

Pressionado procurou contentar os paulistas
            Pressionado, Vargas procurou contentar os paulistas indicando Pedro de Toledo, civil e paulista, para o governo de São Paulo. Marcou também eleições para uma Assembleia Constituinte
            Apesar das medidas tomadas por Vargas os conflitos continuavam a ocorrendo entre a Frente Única Paulista e os membros do governo Vargas.
            Em São Paulo, os comícios, as manifestações de rua e a propaganda contra o governo reuniam a cada dia um número maior de pessoas.

MMDC (Martins Miragaia, Draúsio e Camargo)
            Numa dessas manifestações de rua, quatro estudantes (Martins, Miragaia, Draúsio e Camargo) foram mortos a tiros enquanto atacavam a redação de um jornal que apoiava o governo de Vargas. A morte dos estudantes exaltou ainda mais os ânimos paulistas.  Com as letras iniciais formou-se a sigla MMDC, que se tornou o símbolo do movimento de oposição e constitucionalista. 

Explode a revolução (revolta)
            No dia 09 de julho de 1932, explodiu a revolução Constitucionalista: São Paulo reuniu armas e 30 mil homens para lutar contra o governo federal. Seus principais líderes foram: o general Isidoro Dias Lopes e o civil Pedro de Toledo
            As tropas paulistas, formadas por soldados da polícia do estado, recebiam a colaboração de muitas indústrias de São Paulo, que ajudavam na fabricação de material de guerras como: granadas, máscaras contra gases, lança-chamas, capacetes.  

São Paulo ficou isolado
            Esperando receber apoio de outros estados, fato que não aconteceu, São Paulo ficou isolado do resto do país. Mato Grosso foi o único estado acompanhar os paulistas. As demais oligarquias não aderiram à Revolução Constitucionalista
            A guerra arrastou-se por quase três meses, provocando a morte de milhares de pessoas. Em outubro, cercados pelas tropas federais, os paulistas foram obrigados a se render. 

Perderam mas ganharam
            Embora derrotados militarmente, os paulistas se consideraram vitoriosos em termos políticos pois, terminada a revolta, Getúlio Vargas garantiu a realização de eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que ficaria encarregada de elaborar a nova constituição.