quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Vinda da Família Real


Revolução industrial -séc. XVIII
A revolução industrial do século XVIII provocou uma guerra entre as nações mais importantes naquela época França e Inglaterra. Além da disputa por mercadoria havia também os planos imperialistas de Napoleão Bonaparte.

Exército Francês X Marinha Inglesa
O exército francês era forte e bem equipado, porém a marinha inglesa era a mais poderosa do mundo. A grande diferença era que Napoleão havia conseguido impor seu domínio sobre a maioria dos países da Europa Continental. 
 
Bloqueio Continental - 1806
Durante a guerra, Napoleão resolveu decretar o Bloqueio Continental em 1806. Este visava impedir as nações europeias de comercializar com a Inglaterra.
Então nenhum produto inglês poderia ser comercializado no continente. O objetivo do Bloqueio Continental era arruinar economicamente a Inglaterra.
   
Portugal e o Bloqueio Continental
Portugal não podia cortar relações com a Inglaterra para qual devia muito dinheiro. Porém se não aceitasse as determinações de Napoleão Bonaparte poderia ser invadida pelo exército francês. 
 
1807 -Acordo secreto com a Inglaterra
Para tentar se proteger e ganhar tempo D. João VI pediu ajuda da Inglaterra. Dessa maneira assina em 1807 um acordo secreto com a Inglaterra parra receber proteção militar. Com isso Portugal deveria fazer várias concessões para aquele país.
 
Fuga para o Brasil
Mesmo com todos os acordos de proteção, a França invade Portugal. Com a invasão a família real e a corte portuguesa partem para o Brasil em 1807(novembro) e chegam no Brasil em 1808 (janeiro). O rei deixa Portugal no momento mais crítico abandonando-o no momento da invasão.
 
Fuga rápida
A vinda da família real foi marcada por muita correria, pressa e confusão D. João não se despediu do povo e disfarçadamente retirou-se apressado para o navio. Muitos populares queriam fugir com Dom João, mas não encontraram lugar nas embarcações.
O rei e sua comitiva foram vaiados pelos populares devido à covardia de abandonarem a pátria portuguesa para o inimigo francês.
 
Números da comitiva
Levando todos os documentos e riquezas possíveis de serem transportadas, D. João, sua família e uma comitiva de cerca de 10 mil pessoas partiram de Portugal, escoltados por uma divisão da marinha real inglesa.

Primeiras medidas de D. João no Brasil
Após sua chegada ao Brasil, o príncipe regente tomou as seguintes medidas:
28 de janeiro de 1808 - Decretou a abertura dos portos às Nações Amigas. Com esse decreto colocava fim ao Pacto colonial (monopólio comercial entre as metrópoles e suas colônias que eram obrigadas a comprar somente da metrópole).
1° de abril de 1808 - Assina um decreto que permitia a instalação de manufaturas no Brasil
16 de Dezembro de 1815 - Eleva o Brasil a categoria de Reino Unido a Portugal Algarves. Com isso o Brasil ganhava autonomia administrativa, deixando, portanto, de ser uma simples colônia portuguesa.
 
 
 Região de Algarves
O governo de D. João VI
           O período joanino é o período no qual o Brasil foi administrado diretamente pela coroa portuguesa que aqui estava instalada e se estendeu de 1808 a 1822.Entre as principais realizações de D. João VI destacam-se:
·         A fundação das duas primeiras escolas superiores brasileiras (ambas de medicina);
·         A criação do Banco do Brasil;
·         A criação do Jardim Botânico, da Academia Militar e da Imprensa régia;
·         Contratação de uma missão cultural francesa (missão francesa) para retratar através de pinturas, as belezas naturais e os aspectos cotidianos do Brasil. Entre os artistas contratados estava o francês Jean Baptiste Debret;
·         A conquista do território uruguaio que se tornou uma província brasileira chamada Província Cisplatina;

A instalação de indústrias não agrada a Inglaterra
A instalação de indústrias não agradou o governo inglês, pois este não queria sofrer concorrência. 
 
Impostos sobre mercadorias brasileiras e estrangeiras
A Inglaterra tenta lucrar com o Brasil, pois os impostos colocados sobre os produtos ingleses eram quase iguais daqueles cobrados sobre os produtos brasileiros. Como perceber nos seguintes números:
 
·         Mercadorias inglesas 15%
·         Mercadorias Portuguesas 16%
·         Mercadorias Brasileiras 14%
·         Mercadorias de outros países 24% 

Dessa maneira os produtos ingleses tinham um preço mais acessível do que da iniciante indústria brasileira. 
 
1820-Revolução Liberal do Porto – a volta de D. João para Portugal.
Uma revolução eclode em solo português em 1820, D. João VI viu se obrigado a voltar para Portugal, deixando aqui seu filho D. Pedro, como Príncipe regente. A revolução conhecida como “Revolução Liberal do Porto” pretendia: 
 
·         Salvar a economia portuguesa;
·         Recolonizar o Brasil, ou seja, fazer com que o Brasil voltasse à condição de colônia, totalmente dependente de Portugal. 

D. João resolve voltar para Portugal, sabendo se não o fizesse perderia seu trono, D. João VI, viajou, deixando o seu filho, D. Pedro, como regente do Reino Unido do Brasil. Isso aconteceu em 26 de abril de 1821.
 
Uma multidão comparece ao porto do Rio
No dia que D. João VI e sua família partiram para Portugal, uma multidão de cariocas compareceu ao porto do Rio com a intenção de revistar os navios portugueses. É que se espalhara a notícia de que D. João VI ia levando com ele cofres cheios de moedas de ouro e todo o dinheiro do Banco do Brasil.
Contam que no dia da partida da família real os cariocas cantavam esse refrão: “Olho vivo, pé ligeiro, vamos a bordo buscar dinheiro” 
 
Certeza da independência
D. João deixa o Brasil com a certeza que a independência seria inevitável e até aconselha a seu filho Pedro. Pois era melhor que ele governasse o país em vez de qualquer outro. Por isso, despediu-se de seu filho dizendo:
“Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para alguns desses aventureiros. ”

Imagem: https://maniadehistoria.wordpress.com/a-fuga-da-familia-real-portuguesa/
Algarve: http://conversandoalegrementesobrehistoria.blogspot.com.br/2016/07/algarve-ou-algarves-um-pedacinho-do.html